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Num dos últimos dias de Sol, entretidos a bebericar um café e envolvidos na nossas leituras, eis que o meu mais que tudo, o Papá M. , me lê o seguinte excerto:
" Um deus, qualquer que ele seja, e fosse qual fosse o momento histórico ou o povo que o tenha definido, caracteriza-se por vários aspectos :
- narcisismo (...);
- egoísmo (...);
- irresponsabilidade (...);
- adoração (...);
- omnipotência (...);
- incapacidade de amar (...);
- irascibilidade (...);
- distância (...);
- perfeição (...);
- imortalidade (...).
Estas características dos deuses assentam como uma luva numa criança desta idade (6-9 meses - o pico vai até aos 15 meses), que poderá viver num - quero, porventura posso e se calhar até mando - que alimenta esse narcisismo e omnipotência. (...) Para mais, as ameaças à vida, que o poderiam assustar (fome, frio, desconforto de fraldas sujas), encontram-se controladas - o bebé sabe pela experiência dos meses anteriores que, com maior ou menor brevidade, os pais colmatarão qualquer lacuna e resolverão os eventuais problemas. O bebé sente-se assim, um rei, um deus. O bebé desenvolve um pensamento mágico através do qual pensa que pode, quase como se tivesse uma varinha de condão, fazer o que quer e lhe apetece, e comandar a vida a seu bel-prazer. (...) O bebé pensa, assim, que os pais e restantes cuidadores são prolongamentos ou extensões da sua vontade. Chama-os, puxa-os eles vêm. É por isso que, mais tarde, quando constatar que está rotundamente enganado, aceitará com alguma dificuldade a nova realidade. Algumas crianças nunca conseguem ultrapassar esta fase, dando origem a adultos que têm uma noção de grandiosidade, megalomania, narcisismo, omnipotência e vontade de exercer um poder sem limites, desfasando-se da realidade e tendo cada vez mais medo e sentido mais insegurança perante a crua realidade, fugindo dela, inventando uma e outra e ficando muito irritados e agressivos quando alguém lhes demonstra que os factos são diferentes do que eles fantasiam. "
Desta forma, é extremamente importante que os Pais lhes mostrem os limites, para aprenderem que não somos deuses, nem perfeitos, mas sim humanos e é aqui que o não tem extrema importância, ensinando-lhes progressivamente a tomarem mais e mais decisões. A criança crescerá assim mais estruturada e feliz.
(o excerto é do Livro "Vou ser Pai" do Dr. Mário Cordeiro)
Mamã I.


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